O Presidente da Comissão de Administração Pública e Poder Local (PCAPPL), Francisco Mucanheia, exortou, esta segunda-feira, a necessidade de toda a sociedade moçambicana assumir o Plano Nacional do Desenvolvimento Territorial (PNDT) como um Instrumento de todos.

Mucanheia, que falava durante a auscultação pública sobre o Plano de Desenvolvimento Territorial na cidade de Quelimane, Província da Zambézia, apelou para o envolvimento de todos e com todas as suas forças, para que a sua implementação contribua, efectivamente, para alavancar o desenvolvimento do País a todos níveis.

O PCAPPL sublinhou que por mais que o Plano seja bem desenhado e espelhe os interesses dos moçambicanos, se a sua implementação não contar com o envolvimento abnegado de todos os segmentos da sociedade moçambicana poderá ser apenas um sonho.

“Entendemos que um dos maiores desafios é a sua implementação, não obstante reconhecermos que ele tem muita utilidade para catapultar o desenvolvimento do País, por isso se torna fundamental que na implementação, as províncias, os municípios, os distritos, assim como as localidades, sociedade civil e sector empresarial estejam concatenados sobre aquilo que deve ser o território nacional nos próximos 20 anos”, disse Mucanheia, ajuntando que, a avaliar pelo nível de debate, este Plano é considerado importante, oportuno e necessário para a mudança do ordenamento do território nacional.

No encontro com o Conselho de Coordenação Provincial, o Governador da Província da Zambézia, Pio Matos, apelou que, na implementação do PNDT, se crie critérios para que as vilas passem para cidades e os povoados passem para vilas para que se reduza o êxodo rural que resulta da busca de serviços urbanos.

“Devemos clarificar, neste Plano, que serviços são necessários para que os centros urbanos ou povoados rurais elevem de categoria”, disse o Governador da Província, alertando que não é necessário se esperar por ter avultadas somas em dinheiro para a implementação de planos, mas sim deve se ter os recursos existentes para a sua efectivação.

Apelou que o plano seja celeremente aprovado pela Assembleia da República para possibilitar que o pais, em geral, e a Zambézia em particular possam ter um território desenvolvido e sobretudo ordenado.

Por sua vez, a Secretária do Estado na Província da Zambézia, Judite Mussacula, disse que sendo o PNDT um Instrumento Estratégico que vai guiar as suas acções, “será usado como base na planificação para a elaboração dos nossos planos económicos e sociais e orçamento, bem como os planos sectoriais olhando, particularmente, para o uso sustentável dos recursos naturais e ou estancar os conflitos de terra existentes na exploração dos diferentes recursos”.

No debate sobre o Plano Nacional do Desenvolvimento Territorial, várias são as propostas do seu melhoramento apresentados pelos participantes, dos quais a necessidade de este prever uma transformação estrutural da agricultura, melhoramento das vias de acesso, a potencialização da industrialização agrária, da indústria construção, do turismo, bem como a possibilidade de reactivação da Linha Férreas que liga a cidade de Quelimane à Macuze.

Os participantes entendem ainda que o Plano deve contribuir para a criação de condições para a expansão da rede eléctrica de qualidade para as comunidades e criação de novas cidades para se sair da estrutura herdada do colonialismo.

Neste aspecto, o Presidente do Município de Quelimane, Manuel de Araújo, foi peremptório ao afirmar que toda a estrutura rodoviária do Pais, no Norte, Centro e Sul foi criado para servir os interesses dos países do interland e não necessariamente para o desenvolvimento do Pais, nomeadamente Malawi, no Norte do Pais, Zimbabwe, no Centro e África do Sul, no Sul.

Segundo Araújo, para que este Plano tenha sucesso é preciso que estes aspectos sejam revertidos para os interesses nacionais e não apenas para servir outros países, o que passa necessariamente por definir polos de desenvolvimento internos.

“Temos que modificar os objectivos dos interesses do nosso País para construirmos um modelo baseado nas dinâmicas locais e reais e tornar os distritos como polos do desenvolvimento, de facto, mediante a identificação dos recursos existentes e montarmos um sistema baseando nas características de cada Província”, disse o Edil de Quelimane, que participava, igualmente, no debate. Araújo ajuntou que esperava que o Plano previsse também um modelo que criasse uma economia dinâmica que possa reverter a fraca conectividade dos polos entre as províncias e as zonas rurais.

Na ocasião, ficou assente, igualmente, a necessidade descrição de novas cidades e desenvolvimento urbano e acautelar as questões do impacto das mudanças climáticas, a consolidação das instituições estatal da justiça e promover o respeito pelos direitos costumeiros, bem como aperfeiçoamento dos modelos de assentamento e expansão das tecnológicas de comunicado e informação para assegurar acesso universal e questão das reservas do Estado.

O Administrador de Chinde, Pedro Armando Virgula, entende que o Plano é oportuno e de grande importância e pode ser aprovado, contudo, alerta que depois da sua aprovação deve -se capacitar e treinar os serviços distritais, os administradores e líderes comunitários para se familiarizem com o Documento e evitar conflito de terras que infelizmente se verifica um pouco em todo o País.

“Deve-se definir com clareza e dar poderes de gestão de terra aos líderes de base incluindo os administradores”, disse o Administrador de Chinde para quem estes com estes poderes serão evitadas várias situações de conflitos que se tem verificado na gestão da terra na Província.

O envolvimento dos líderes é igualmente solicitado, pelos participantes do debate, no processo de mapeamento territorial, sobretudo no que se refere aos limites partilhados para que seja possível haver uma consolidação de ambas as partes quando e evitar-se conflitos.

Outra preocupação apresentada pelos participantes do debate na Zambézia tem a ver com a existência de várias terras ociosas nas mãos de concessionárias com direitos de uso e aproveitamento por mais de 50 anos, mas que não estão a ser exploradas, o que se acredita que cria impasses na atracção de investimentos naquelas áreas.

Ainda sobre a Implementação do PNDP, o 2º Vice-Presidente da Assembleia Provincial da Zambézia, Betinho Jaime, solicitou que o Plano, nos próximos vinte anos, deve contemplar o sector social, sobretudo escolas e hospitais, com vista a reduzir a distância dos dependentes, construir-se estradas e ferrovias adequadas para o escoamento de produto.

“O mais importante, para que este Plano atinja os objectivos preconizados, é necessário a desactivação e eliminação da indústria da corrupção que no País, infelizmente, coloca qualquer plano perfeito abaixo”, sublinhou Betinho Jaime, para quem “enquanto este Plano estiver sob um espectro de corrupção activa na nossa sociedade corrupta nada será feito”.

Refira-se os debates desta Segunda-feira, dia 19, marcaram o fim do ciclo destes eventos que se realizaram nas províncias de Niassa, Nampula e Zambézia para o Grupo de Deputados mandatados para a Região Norte, tendo-se auscultado, nestas pontos do Pais, membros dos Conselhos de Coordenação Provinciais, das Assembleias Províncias e Municípios, Sociedade Civil e Sector Empresarial, com objectivo de colher sensibilidade para o melhoramento do PNDP a ser apreciado pela Assembleia da República.

O Grupo de Deputados da AR que escalou a Região Norte era Chefiado pelo Presidente da Comissão de Administração Pública e Poder Local, Francisco Mucanheia e integravam os Deputados Alfredo Magumisse, Relator da Comissão de Agricultura, Economia e Ambiente, Joana Júlia Ravia, Arnaldo Chalaua, e Elias Impuiri, da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade, Martinha Benfica e Rafael Chande, da Comissao de Administração Pública e Poder Local, Matias Nyongo e Maria Joaquina, da Comissão de Agricultura Economia e Ambiente, bem como Emídio Guambe, Assistente da 4ª Comissão e Alfredo Júnior Matsinhe, Oficial de Imprensa da Assembleia da República.

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